A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo reforça o compromisso da escola e dos educadores com a diminuição da vulnerabilidade de crianças e adolescentes em situações que possam vir a comprometer a integridade física, psíquica e emocional dos estudantes.
É crescente o número de adolescentes que necessitam de uma efetiva ajuda pessoal e social para a superação dos obstáculos ao seu pleno desenvolvimento. O primeiro e mais decisivo passo para vencer as dificuldades pessoais é a reconciliação do jovem consigo mesmo e com os outros. Isso exige que se propicie uma possibilidade de socialização que concretize um caminho mais digno e humano para a vida.
À equipe escolar compete promover o protagonismo de adolescentes e jovens, que pressupõe uma relação dialógica entre participação, responsabilização e criatividade como mecanismos de fortalecimento na perspectiva de educar para a valorização da vida.
Dessa forma, os gestores e educadores da rede pública de educação deverão reforçar as ações pedagógicas de conscientização quanto ao uso seguro da internet e temas relacionados à melhoria da convivência no ambiente escolar, como o bullying. Assim, se faz necessária a atenção no que se refere a qualquer manifestação ou comportamento que fuja ao cotidiano, deixando abertos canais de comunicação entre todos os membros da comunidade escolar. Ao perceber qualquer atitude alheia ao considerado comum na rotina da escola, a mesma pode e deve comunicá-la aos órgãos competentes para que ações sejam desenvolvidas.
“A adolescência, como todos sabem, é um período da vida marcado por mudanças, incertezas e experimentações. É uma fase rica em sonhos e aprendizados, mas também carregada de riscos e armadilhas”. Nessa fase, os jovens são mobilizados pela necessidade de se sentir valorizados e pertencentes a um grupo, estando mais suscetíveis a aderir desafios que comprometam sua integridade, principalmente por estarem “[…]vulneráveis, permanentemente motivados pelo legítimo desejo de explorar, conhecer, questionar e fragilizados por outro traço também muito comum nessa fase da vida: a traiçoeira sensação de serem eternos, imortais e infalíveis” (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2015, p. 9).
Por isso, é importante que a equipe escolar passe a observar de perto mudanças de comportamento, fazendo com que o estudante se sinta seguro para socializar situações que possam colocá-lo em risco.
Considerando o atual contexto, é possível promover ações que possam apoiar a equipe na perspectiva de integração dos adolescentes e jovens no ambiente escolar, tais como:
1- Criar espaços para o desenvolvimento da Pedagogia da Presença:
Princípio segundo o qual a presença de todos os profissionais da escola deve ser afirmativa na vida dos alunos. Espera-se que esta presença afirmativa promova a compreensão do sentido de sua vida, o que requer um novo olhar para seus estudos, a convivência, a colaboração, a solidariedade, os valores, etc.
2- Incentivar a equipe escolar a fazer a tutoria com os seus alunos:
A Tutoria caracteriza-se pelo atendimento e o acompanhamento dos alunos em sua formação integral, tendo em vista seu pleno desenvolvimento. Para isso, é necessário que o tutor tenha uma “escuta ativa”.
– Sendo acolhedor, buscando compreender os pensamentos e sentimentos do aluno;
– Estando disponível para ouvi-lo.;
– Mesmo que discorde das opiniões e/ou das ações do estudante, respeite o que ele pensa, tendo uma postura ética e acolhedora que incentive uma curiosidade crítica e uma prática reflexiva sobre suas opiniões a partir de outras perspectivas.
3- Desenvolver ações protagonistas entre adolescentes e jovens:
A formação de jovens protagonistas pressupõe a concepção dos adolescentes e jovens como fonte de iniciativa e não simplesmente como receptores ou porta-vozes daquilo que os alunos dizem ou fazem com relação a eles, proporcionando-lhes espaços e mecanismos de escuta e participação autônoma, consequente e democrática. Os Grêmios estudantis, Clubes Juvenis, participação em colegiados escolares são bons exemplos de protagonismo.
4- Incentivar os alunos na construção de seus Projetos de Vida:
Ter um Projeto de Vida é refletir sobre o que se quer para seu futuro e planejar ações concretas para chegar lá. É o traçado entre o ser e o querer ser. O Projeto de Vida é um meio de motivar os alunos a fazerem bom uso de suas oportunidades, cabendo aos estudantes a corresponsabilidade do seu desenvolvimento.
5- Orientar as famílias em relação às crianças, adolescentes e jovens a:
– Instruí-los a não adicionar estranhos às redes sociais;
– Controlar o uso da Internet em determinados horários;
– Monitorar o uso das redes sociais;
– Atentar-se à perda de vínculo familiar, isolamento e/ou mudanças nas relações de amizade;
E, principalmente, acolhê-los e conversar sempre!
Para saber mais:
ARANTES, V. A. Afetividade na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 2003.
ARAUJO, U.F. Resolução de conflitos e assembleias escolares. Cadernos de Educação. FaE/PPGE/UFPel – Pelotas [31], jul./dez. 2008, p. 115-131.
ARGÜÍS, R. et al. Tutoria, com a palavra, o aluno. Tradução: Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2002.
COSTA, A. C. G. Por uma pedagogia da presença. Brasília: Ministério da Ação Social, 1991. In: Protagonismo juvenil: adolescência, educação e participação democrática. São Paulo: FTD/Fundação Odebrecht, 2006a.
____________. Por uma educação interdimensional. In: GOMES, C. A. (Org.). Abrindo espaços: múltiplos olhares. Brasilia.Unesco.2008b.
___________. Pedagogia da Presença – da solidão ao encontro. Belo Horizonte: Modus Faciendi,
2001.
FANTE, Cleo. Fenômeno bullying: como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz. Campinas, SP: Verus Editora, 2005.
MALDONADO, M. T. Bullying e cyberbullying : o que fazemos com o que fazem conosco? Moderna, São Paulo, 2011.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Adolescer, verbo de transição. Relato sobre o Programa de Saúde do Adolescente do Estado de São Paulo e as Casas do Adolescente. Brasília, DF: OPAS, 2015.
PUIG, J. Democracia e participação escolar. São Paulo: Moderna, 2000.
RUOTTI, C. et al. Violência na escola, um guia para pais e professores. São Paulo: Imprensa Oficial,2007.
Atenciosamente,
Valéria de Souza
Coordenadora CGEB