Diante da tragédia ocorrida hoje na EE Raul Brasil, em Suzano, a SEE compartilha breves sugestões de atividades para auxiliar no acolhimento dos professores, funcionários e alunos.
Trata-se de sugestões para os casos em que a equipe escolar julgar adequado, se perceber que a comunidade esteja emocionalmente afetada pelo ocorrido.
A SEE emitirá novas orientações nos próximos dias e continua disponível para acolhimento, dúvidas e sugestões. Em meio às nossas manifestações de solidariedade, continuamos trabalhando para oferecer o melhor suporte possível às ações a serem desenvolvidas nas escolas e diretorias de ensino.
1º PASSO – EXPRESSÃO DOS SENTIMENTOS
Em situações de violência na escola, é natural que os alunos e alunas fiquem confusos, com medo, revoltados etc. O misto de emoções faz com que os sentimentos permaneçam todos “misturados” o que, frequentemente, causa mais ansiedade e insegurança. É preciso ajudá-los a “nomear” o que estão sentindo.
Atividade 1 – Produção coletiva do cartaz dos sentimentos
Reúna os alunos e alunas em círculo e solicite que falem o que estão sentindo (sem pensar muito antes de falar). Enquanto isso, escreva num cartaz/lousa o nome dos sentimentos (ex. raiva, medo, ansiedade, angústia, tristeza etc).
O cartaz ficará exposto durante o restante do período de intervenção para que possam, com o tempo, discutir sobre quais sentimentos mudaram (por exemplo, a raiva de quem foi violento pode dar lugar à vontade de ajudar quem está sofrendo também).
O(a) professor(a) também deve falar e escrever no cartaz sobre os seus sentimentos – os alunos e alunas precisam entender que você também sofre com eles.
Durante o momento de conversa com os alunos, é importante que o(a) professor(a):
– deixe claro que quem quiser falar pode falar
– deixe claro que quem não quiser falar, não precisa falar
– ajude a circular a fala entre os que querem falar (sem que apenas uma pessoa fale)
– legitime que diferentes sentimentos podem aparecer
– se coloque como facilitador, ouvindo mais e falando menos
– trate as emoções que aparecerem como manifestações naturais ajudando a dar nome ao que surgir
– dê mais espaço para se falar sobre os sentimentos e menos espaço para suposições sobre coisas que as autoridades ainda vão investigar e entender
– permita que o silêncio também se faça presente, conforme ocorrer naturalmente
– auxilie a retomar / recapitular o que foi dito no grupo
Atividade 2 – “Pata de elefante”
Para a introdução desta atividade é importante comparar o peso de tantos sentimentos juntos ao de uma “pata de elefante” que parece estar sobre o peito de cada um.
Depois de nomearem os sentimentos coletivamente, cada aluno e aluna receberá uma folha em branco para desenhar uma “Pata de Elefante” que simbolizará o “peso no peito” que todos estão sentindo de alguma maneira.
Dentro da “pata” serão convidados a escrever ou desenhar tudo o que tiverem vontade (pode-se colocar uma música suave ao fundo enquanto desenham e escrevem).
Uma vez escrito ou desenhado, os alunos podem levar as folhas consigo para casa ou então compartilhar com o(a) professor(a) e/ou colegas.
É importante que aqueles alunos que não quiserem compartilhar o que escreveram, possam manter o papel particular ou apenas dividido com o(a) professor(a) que se comprometa a guardar e não divulgar.
É preciso enfatizar que, em momentos como esses, é difícil expressar para os outros o que se está sentindo, mas quando não “colocam para fora” isso faz mal dentro de cada um, fazendo com que a superação do problema seja mais demorada.
Atenciosamente,
Secretaria de Estado da Educação
0800 77 00012